sexta-feira, setembro 27, 2002

quem vê no meu olhar
Uma ponta de tristeza
E vem logo me perguntar
"Por que triste se há beleza?"

Eu respondo com alegria
Que triste eu não estou,
Não estou e nem deveria
Foi seu olhar que se enganou

Mas logo deixo escapar
Um imenso suspiro
E algo ruim me invade

E sinto vontade de chorar
Mas isso - eu sei - não é tristeza
Não é nada. É só uma saudade

terça-feira, setembro 24, 2002

Meu menino

Que destino é esse que te pôs
tão abruptamente em meu caminho?
Te faz portador da resposta a sonhos juvenis,
pensado perdidos.


Chega trazendo sonhos
Encantos de bruxo
magia /encanto
sedução
paixão
tentação
idealização

Porque o destino te trouxe até mim?
Que espera ele de nós assim?
Tão distantes
Tão eletrizantes
Tão ardentes
Tão freementes

Menino encantado
adorado
desejado
sonhado
decantado
Menino amado!!!



segunda-feira, setembro 23, 2002

Sonhado automóvel zero, ícone de emancipação de qualquer jovem adulto, é substituído por uma WEB, mal planejada e capaz de viajar no tempo! Agora a jornada nossa está por começar... Muito bem, você entrou no clima . E, pasmem eu estou escrevendo de volta...
World Trade Caos still pra quem tem um certo otimismo diante de catástrofes
Simone Malaguti
Luiz Araújo Santos
Obrigado pelo incentivo de continuar vivendo...
Azul anil
Um azul anil nos invadia naquele entardecer outonal de abril.
Era a curva do dia e isso fazia toda a diferença. E quando todo o laranja-lilás da tarde foi engolido pelo azul anil, o quarto ficou iluminado em tiras: raios de luzes que passavam pela persiana. Você me olhou firmemente, como se estivesse reconhecendo em mim a revelação de um enigma. Eu a mulher que sabia te amar. Então, curvei-me, deixei meu corpo cair suavemente. Sabia o que estava por vir. Na minha nuca, plantavas beijos, flores e dores. Não queríamos nos deixar, mas você tinha que partir. As malas já estavam prontas, uma tarefa te aguardava. Não queria chorar, mas o choro queria sair. Os olhos já estavam armados. Em meio a enlevos e beijos, os pingos de lágrimas, não sei se de dor ou de amor, salgavam nossa despedida.
Um momento...
O acontecimento em si não o perturbava particularmente. Nunca buscara a explicação, o motivo, a origem do fenômeno. Nunca entendeu e nunca fez questão alguma de entender!

O que o atormentava era não lembrar o exato momento em que acontecera pela primeira vez. O lapso, o
esquecimento em sua memória daquele instante de vida, apagado por capricho de tramas eletroquímicas em seu cérebro, essa era sua questão.

O fato é que toda vez era assim: a compulsão, o desejo atordoando a cabeça e o tesão estrangulando o pau; a boca seca, coração disparado e suor nas mãos.

Após alguns minutos de máxima expectativa, a explosão e o alívio. Em lugar do sêmen, letras eram cuspidas pelo seu pênis. Quanto mais longa a ejaculação, no lugar do esperma branco e viscoso, poderia sair o suficiente para formar palavras inteiras.

Seduzido pelo fenômeno chegava a tocar uma punhetinha só para ver o efeito daqueles caracteres cuspidos, saindo como se puxados por um fio invisível, em fila indiana. A primeira letra carregando a segunda, esta a terceira e quantas fossem mais.

Rebeldes e caprichosas, em vez de obedecerem à gravidade do planeta e caírem ao solo em inexorável atração, as letras esvoaçavam como se à procura do lugar mais apropriado possível, onde grudavam-se. Era estranho, mas gozado e lúdico, acompanhar a desordenada levitação do enxame de letras até o seu destino, onde se ordenavam disciplinadamente formando legível escrita gráfica.

Decidiu não contar para ninguém, com medo de que o tomassem por louco. Nem mesmo procurou um médico.

Sobretudo receava que, em ambiente com situação controlada, monitorada, o efeito não se repetisse, fortalecendo para qualquer um que, de fato, ele era um doido varrido. Assim, calou-se.

Seduzido pelo vôo mágico, pelo inusitado, pela curiosidade ou simplesmente porque não queria furtar-se à sua compulsiva e solitária busca de satisfação, deu de ombros a cada nova pichação, fosse lá onde quer que fosse...

Quando tentou remover as primeiras inscrições, percebeu que, ao contrário da gosma masculina, as palavras não saíam facilmente dos locais em que se grudavam. Manchavam e permaneciam como tinta. Bem que tentou: cândida, solvente, soda cáustica... Nada adiantou. Retinta, a impressão ficava, indelével, sobre a superfície: intacta.

Assim a casa passou a ser ocupada por consoantes e vogais, em uma diagramação arbitrária, porém não aleatória. A princípio, eram inscrições desconexas, palavras inacabadas e soltas em um canto qualquer. Mas aos poucos tornavam-se compreensíveis à medida em que se completavam.

As palavras tornaram-se fragmentos de frases, por sua vez também incompletas. Mas em algum momento da "constelação de alfabeto" que se formava, percebeu um princípio qualquer de sentido nas palavras soltas e frases ou parágrafos em construção.

Começou a anotar as inscrições, tentando montar, como em um quebra-cabeça, um mosaico reconhecível. Ao fim de algum tempo percebeu a trama de uma história que se desenrolava. Nessa altura, dedicava-se cada vez mais a conseguir a matéria prima necessária, sem a qual não poderia pegar o fio da meada. E eram ruivas, louras, morenas, negras e orientais.

As escritas multiplicavam-se sobre toda superfície interna da casa. Seios, ancas largas; magras, bem torneadas; negras e novas, mulatas, brancas e velhas. A história em dias avançava, em outras horas não. Todo o kama sutra em devaneios. Harém virtual, possibilidades ainda não exploradas...

Mergulhou na floresta de significados e formas e relato que o seu esperma ia construindo, de certa forma alheio à sua vontade. Era uma história, sem pé nem cabeça, de um sujeito igual a ele, que soltava letras pelo pau.

Passou a conhecer daquele estranho íntimo os traços da vida: sabores, desgostos, alegrias, esperanças perdidas, vilanias cometidas, os medos, grandeza, pavores, pequenos prazeres, descobertas, angústia: a lembrança de imorredouro pôr do sol em um dia na infância, cujos detalhes estavam preservados, banhados de luz...

Como de estalo, em sua mente clareia aquele instante que tanto buscara, a partir do qual ele próprio passara a ejacular palavras. Nesse momento, levantou a cabeça, olhou em volta e percebeu a casa limpa das inscrições, como se nunca houvessem estado ali.
A curiosidade mata.
O "apostar", sempre me causou incomodo, desde a infância; de lá p/ cá, quando me apercebo, estou incomodado com esta forma explicita de auto afirmação, uma competitividade extremamente narcisista, basta observar que quando se ganha,, o prazer é duplicado ao se satisfazer pela "APOSTA"(postar-se a frente) e por derrotar a outro ou a si mesmo. Desta forma de satisfação me veio o termo "Autocentrimo", dissequem ao belo prazer:




"A CURIOSIDADE MATA"

Em uma sala escura estão 10 cadeiras, postas de frente p/a parede,
de forma que as pessoas se sentem de (desenho)costas ao centro da sala.
Os presentes são APOSTADORES autocentricosnarcisistas,excentricos excravos do próprio ego,
escolhidos selecionados do vi-cio ou virtude do seu ser ou estar a mercê do "destino".


Prontos e ansiosos a vencer e derrotar a derrota.
As luz surge fraca, amarela como ópio à ansiedade, as cadeiras se voltam ao
centro do casino bizarro, todos imobilizados em suas cadeiras elétricas,
pernas, mãos e cabeças atadas por cintas de couro, as bocas seladas por
fita, submissos estáticos aguardam o duelo com o inesperado.
Eis que entram os "croupiers", jalecos brancos e máscaras de couro negras
com aberturas apenas nos olhos invisíveis, adentram no recinto com uma
pessoa vendada, o estado de topor é seu acalento, pois está condenada a
girar na "roleta", está sim é indiferente a toda sorte ou azar, sempre
vence! Óh! Quizera todo APOSTADOR ser roleta.



Que comece o JOGO:
O homem traz no peito um destacado cricifixo que se
sobre sai as vestes pretas, não é jovem, tão pouco idoso.
Este é deitado em uma grande e pesada cruz, aos quais lhes são pregadas as
mãos e os pés, içado ao teto por correntes presas ás extremidades da cruz,
permanece fluindo-lhe o sangue.
Agora é posto ao chão; colocado abaixo , uma outra cujo estão encrostadas,
várias cruzes menores, uma verdadeira cama de "faquir" ao modelo das
torturas feita pela inquisição.




SEJAM FEITAS AS APOSTAS:
Cada APOSTADOR tem direito a uma aposta, esta será feita ao toque do
botão em sua cadeira, um toque p/ cima a Cruz suspensa permanece; um p/
baixo ela virá de encontro à cama de faquir....